5 de julho de 2012

O Desafio da Visão Sistêmica


Não são de hoje as discussões acerca da necessidade de visualização das organizações como um sistema integrado que engloba pessoas, máquinas, processos, além dos públicos externos, também conhecidos como públicos interessados (comunidade, órgãos governamentais, imprensa, ONG's, acionistas, entre outros); enfim, composta por um grupo de stakeholders.

Nesse sentido, olhar apenas para dentro da organização, ou, em visões mais restritas, olhar apenas para determinados setores dentro de uma empresa, deixou de ser uma boa alternativa. A compreensão das necessidades de cada um de seus stakeholders, bem como satisfação de tais necessidades, se tornou latente, fazendo com que muitas organizações buscassem uma visualização mais abrangente do funcionamento do sistema que integram. 

Surgiu assim a Visão Sistêmica, ou Pensamento Sistêmico, buscando apresentar a organização como um conjunto de partes interrelacionadas e interdependentes que formam um todo unitário ligado por um objetivo comum. 

A Visão Sistêmica e seus estudos, impulsionados pela Teoria Geral dos Sistemas (TGS), passaram a conquistar acadêmicos e executivos, que iniciaram uma mudança de pensamento organizacional, dando espaço para a compreensão dos estudos organizacionais com base na interrelação e interdependência entre pessoas, setores e tecnologias, de forma que os impactos das ações de um são percebidos no continuum da ação por outra parte do sistema. Um exemplo básico é um setor, por exemplo, de marketing desenvolver uma campanha de lançamento de determinado produto, conquistando uma quantidade de vendas superior à capacidade de produção da organização. Isso ocorre por falta de comunicação e compreensão das atividades de todos, que por não se visualizarem interrelacionados realizam suas ações apenas voltados para o próprio setor/processo. 

Neste contexto, Peter Senge publicou em 1990 o livro 'A Quinta Disciplina: arte e prática da organização que aprende', apresentando à acadêmicos e executivos 5 disciplinas essenciais para as organizações que pretendiam se manter ativas no mercado, por meio do aprendizado e da geração de novos conhecimentos. As 5 disciplinas são: a) domínio pessoal; b) modelos mentais; c) construção de uma visão compartilhada; d) aprendizagem em equipe; e e) pensamento sistêmico.

Segundo o autor, a denominação de 'disciplinas se deu em função de tais atividades necessitarem de desenvolvimento e aplicação constante, pois são disciplinas que devem ser constantemente aplicadas e treinadas para que seja possível construir uma organização que aprende. Como o autor mesmo aponta, a organização que aprende é uma visão, de forma que o seu alcance necessita do aprimoramento e execução constante das 5 disciplinas.

O pensamento sistêmico é considerado 'A Quinta Disciplina' pois é ele responsável pela união das demais atividades, fazendo com que os indivíduos percebam a interrelação e interdependência entre suas ações e as ações dos demais membros da empresa. Assim, buscar desenvolver tais atividades pode ser considerada uma necessidade vital para as organizações atuais.

Assim, visualizar as organizações como um conjunto de partes interrelacionadas e interdependentes se torna um desafio, que é difícil de ser alcançado, mas que não é impossível. Isso, no entanto, requer uma mudança de pensamento, a aceitação de novas formas de trabalho e convívio dentro das empresas e a busca constante pelo aprendizado, tanto individual como em equipe.

E para quem conhece pouco e gostaria de conhecer mais sobre o assunto (inclusive sobre cada uma das 5 disciplinas), a leitura de A Quinta Disciplina é indispensável, bem como a leitura de materiais relacionados à TGS e Mudança Organizacional. Ainda temas como a Inteligência Organizacional são recomendados, pois a disciplina também busca uma visão integrada da empresa, de seus colaboradores, setores e tecnologias. Desta forma, como as disciplinas propostas por Peter Senge, o conhecimento sobre as organizações requer prática, estudos e dedicação.


"A única vantagem competitiva sustentável é a capacidade de aprender mais rápido e melhor do que os concorrentes" (SENGE, 2005).

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Referências

SENGE, Peter. A Quinta Disciplina: arte e prática da organização que aprende. 19 ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2005.

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